Qualquer semelhança desta composição com a realidade deve ser considerada uma mera coincidência.
Gostaria de ser como as palavras... Na impossibilidade de sê-lo, sou escritor; assim, mantemos contato.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
domingo, 22 de dezembro de 2013
Ilustrações de Kuczynski
Textos breves e rimados inspirados em belas e críticas ilustrações do polonês Pawel Kuczynski (Site do artista AQUI).
Um copo desperta a sede
Uma garrafa inteira sacia
E lá vem a costumeira ressaca
Um gole pra começar o dia!
Toda uma vida "vivida" segundo os conceitos sociais
e no momento em que percebeu a merda que tinha feito
Era tarde - Impossível voltar atrás.
Armazenar é sinônimo de preservar!?
Cultura, identidade, viram recordações
Um mundo onde o ontem permanece vivo?
Há quem julgue isso mais uma dentre tantas utópicas ilusões.
Ah, toda a pureza que advém da natureza!
Mas há de se vi$ar os benefício$
de se indu$trializar o que cai em nossas mesas.
Para o bicho homem massacrar os demais animais
Deve haver uma só explicação:
Resposta a um complexo de inferioridade do cão!
Isso é importante!
Isso não é!
Leia o que recomendamos!
Deixe o resto para a ralé!
Cada minuto passado
é uma nova pazada
alargando e aprofundando
nossa futura e definitiva morada.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Inevitável
-O tempo não passa de um conceito humano - Afirmou o professor perdendo um bom tempo nessa reflexão.
Muita maldade...
Não entendia o mal que assolava o coração das pessoas; Desejava a morte aos estupradores, assassinos, sequestradores...
Tempo para dormir
Acordou angustiada, levantou-se da cama e foi fazer o que tinha de ser feito: Haveria bastante tempo para dormir quando morresse.
A procura
Naquela semana comeu salgadinhos de todas as lanchonetes da cidade. Onde encontraria pastéis iguais àqueles que o senhor Zezinho fazia?
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
A cauda do diabo
Texto a ser publicado na antologia "Contos do outro mundo" da Câmara Brasileira de Jovens Escritores.
Naquela madrugada, Rafael foi
desperto pelo irmão.
-Acorde Rafa! – Lucas chamava,
cutucando desesperada e insistentemente o braço do adormecido – Por favor,
acorde!
-O que há Luquinha? – Rafael
encontrou o caçula dependurado sobre a sua
cama do beliche.
-Um homem acabou de passar aqui!
Rafael estudou o quarto, cujos
acessos estavam fechados. O cômodo era iluminado pela parca luz que
ultrapassava a janela.
-Não tem ninguém, Lucas!
-Mas eu vi! Passou na minha
frente – O menino pulou para cima da cama do irmão.
-E para onde ele foi?
-Entrou no quartinho das
bugigangas.
Rafael saltou para fora do
beliche e foi até o quartinho de bugigangas. Esse era o pequeno espaço onde os
irmãos jogavam os seus pertences quando estavam com preguiça de organizá-los.
-Cuidado Rafa! – Sussurrou Lucas.
O rapaz abriu a porta do quartinho:
Somente a bagunça orquestrada por seu irmão e ele.
-Nada! – Avisou Rafael voltando
para o beliche – Você teve um pesadelo – E começou a empurrar Lucas para que o
menino voltasse para a cama debaixo.
-Eu juro que vi! E ele tinha uma
cauda!
-Uma cauda?
-Isso. Igual a um gato – Luquinha
encolheu-se.
-Foi um pesadelo... Não passou
disso...
-Posso dormir contigo essa noite,
mano? Só esta noite.
-Pode sim – Respondeu Rafael após
um longo e impaciente suspiro. Deixou que Lucas deitasse no canto da parede e
ficou de olho no quarto. Podia até mesmo imaginar, tão nitidamente quanto na
palpável realidade, um homem com cauda de gato passando sorrateiramente pelo
quarto.
II
A sessão terror se dava todas as
sextas-feiras, a partir da meia-noite, no canal 13. Rafael, como bom apreciador
de filmes Trash, não perdia uma.
Ligava a TV do quarto em baixo volume e mergulhava no universo sobrenatural.
Lucas era proibido pelos pais de ver aos filmes, mas por vezes, fingindo
dormir, os assistia em segredo. Rafael percebia, fingindo não notar.
Por volta de metade do primeiro
filme apresentando, “A ilha da insônia”, Rafael, que havia deixado a porta do
quarto aberta, viu, de relance, um vulto passar, rápido, pelo corredor.
Levantou-se, com o coração aos pulos.
-O que se esconde aqui? – Perguntou o protagonista do filme.
Rafael irrompeu no corredor
esperando se deparar com qualquer coisa: Uma vez mais nada viu. O vulto fora na
direção da cozinha. Na certa era seu pai ou sua mãe.
-Mãe? Pai? – o rapaz chamou - Foi
um de vocês que passou agora no corredor?
Do quarto do casal, com a porta
fechada, veio a voz sonolenta e impaciente da mãe:
-Estamos dormindo Rafael!
-Eu... Vi alguém passar...
-Que alguém que nada! –
Prosseguiu a mãe que nem sequer se deu ao trabalho de levantar – O sono e os
filmes de terror estão te fazendo ver coisas!
Vá se deitar!
O filho pediu desculpas e fechou
a porta do quarto. Não queria mais ver o corredor.
-Seja o que for – um médico
explicava ao mocinho do filme – não é humano.
Rafael desligou a TV e se deitou.
No escuro, ouviu a voz do irmão:
-Você o viu, não é? Viu ele...
-O sono nos faz ver coisas, Luquinha. Boa noite.
Fosse o que fosse que passou pelo
corredor, Rafael estava certo de que tinha uma... Cauda, que serpenteava no ar.
III
A Biblioteca Pública de Pinheiros
estava praticamente vazia naquela manhã. A maioria das pessoas decerto preferia
fazer pesquisas no conforto de seus lares, na Internet. Rafael bem que havia
tentado, mas a busca fora infrutífera.
-Tem coisas que você só encontra
nos livros – explicou a bibliotecária ao ouvir o relato de Rafael a respeito de
suas dificuldades de pesquisa. Logo, ela voltava com três tomos, grandes,
capa-dura, recheados de páginas amareladas – Esse material é para um trabalho
de escola? – A mulher questionou desconfiada.
-É sim...
Foi no segundo livro, “Mitos e
lendas demoníacas”, que, após longa procura, o rapaz encontrou a “criatura” que
batia com o que seu irmão e ele tinham visto.
“Ajudantes de Satã, também
conhecidos por Auxiliares de Lúcifer ou Caudas do Diabo. Segundo a lenda,
entram em casas durante a noite para raptar crianças e carregá-las para os
domínios infernais. Na ausência das crianças (a alegria dos pais), o demônio
consegue chegar aos adultos.”
Acima do texto, a ilustração de
um horrendo homem, quase esquelético, nu, curvado, unhas cumpridas, cabelos
negros pelos ombros, e com uma cauda, semelhante à de um felino, felpuda, mas
com um par de longos espinhos na ponta.
O rapaz fechou o livro e partiu
para a escola.
IV
Chegando em casa, Rafael pensou muito
a respeito de se deveria ou não contar aos pais a respeito das “visões” que Lucas e ele vinham tendo.
Temendo que não o levassem a sério (e responsabilizassem os tão adorados filmes
Trash), achou melhor não fazê-lo.
Quando se deitou, o preocupado e
assustado rapaz imaginou que não conseguiria dormir. Era muito nítida, em sua
mente, a gravura da cria infernal daquele livro. Para Rafael, o sono tardou,
mas chegou.
Acordou com os berros do irmão.
-Mano! Socorro! – Debatia-se
Luquinha enquanto a Cauda do diabo o arrastava em direção ao quartinho de
bugigangas.
Rafael saltou do beliche e
lançou-se contra a demoníaca criatura que, surpreendida pelo ataque, acabou
largando Lucas.
Os pais, acordando com os gritos
de Lucas e os ruídos do embate, tentavam, do corredor, entrar no quarto dos
meninos, mas, para aumento do desespero paternal, a porta fora trancada pelo
lado de dentro.
-Luquinha! Rafa! – A mãe estava histérica
– O que está havendo?
Um grito, sobrenatural, infernal,
se espalhou por toda a casa. Findado o eco, tudo o que restou foi o silêncio da
madrugada.
Quando a porta finalmente foi
arrombada, e as luzes acesas, os pais das crianças se viram diante da seguinte
cena: O quarto todo revirado, Lucas, em um canto, encolhido no chão, chorando e,
no outro lado, Rafael, ofegante, segurando o que parecia ser uma corda.
-Eu o impedi! – Rafael berrou – Ele
fugiu... – apontou a porta entreaberta do quartinho de bugigangas – Mas
arranquei a sua cauda!
Repentinamente, o prêmio da
contenda, a cauda, virou uma cobra coral, se enroscou no braço de Rafael e o
picou.
O garoto tombou.
E a cauda do diabo saiu vitoriosa.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
O admirador secreto
Continho vencedor do 1º Concurso de Contos Casa do Escritor - categoria acima de 24 anos.
Bernardo por semanas a fio enviou
flores, caixas de bombom e cartas românticas e inspiradas à sua vizinha,
Lucinda, por quem estava perdidamente apaixonado. Como era um sujeito tímido, o
tal Bernardo acabou fazendo uso da antiga brincadeira do admirador secreto.
Nada como um pouco de mistério para despertar uma paixão! O pretendente foi tão
convincente em seu papel de “secreto”, que chegou a usar outro número de
celular para trocar mensagens com Lucinda.
Combinaram de se encontrar em um
Shopping. A moça, ansiosa que estava, chegou bem antes do horário programado.
Bernardo, coração aos pulos, apareceu, trajando sua melhor roupa, trazendo nas
mãos trêmulas um belo e enorme buquê. Lucinda mostrou-se surpresa ao vê-lo.
-Que faz aqui? – Questionou a moça –
Também veio para um encontro?
Bernardo, diante de sua paixão,
acovardou-se vergonhosamente.
-Sim. Marquei com uma moça que conheci
estes dias... – mentiu o admirador.
-E eu finalmente vou conhecer o meu
admirador secreto! – Lucinda não escondeu o sorriso.
-Nossa! Que coisa mais antiquada isso de
“admirador secreto”! – O rapaz fez cara de desfeita.
-Pois eu acho super-romântico! – Só faltou
à admirada suspirar – Acho que ele está atrasado... – Consultou o pequeno
relógio no pulso.
-É mesmo! – Bernardo disfarçou, olhando
para todos os lados – A minha companhia também ainda não chegou – Ele não sabia
mais onde metia a cara. Temia que Lucinda descobrisse a sua “identidade”.
Talvez o próprio nervosismo o entregasse...
Ficaram esperando, em silêncio, por um
longo tempo.
-Acho que levei um bolo – Lucinda
abaixou a cabeça e começou a revirar o interior da bolsa que trazia no ombro
direito – Vou mandar uma mensagem perguntando onde ele está! – Tomou o celular.
-Nada disso! – Bernardo a impediu – Se
ele não aparece, é ele quem sai perdendo. Você não pode se humilhar – Aquela
tática TINHA que dar certo, caso contrário, o celular em seu bolso tocaria no
exato momento em que Lucinda enviasse a mensagem – Ainda mais se humilhar para
um estranho!
-É admirador secreto, não admirador
desconhecido – Explicou a garota – Pode ser alguém próximo a mim.
-Duvido! Se fosse alguém que você
conhece, falaria contigo de uma vez, não faria este teatro todo – Fez uma
expressão desaprovadora – EU faria isso...
-É... Pode ser... – Lucinda sorriu –
Acho que você também levou um bolo...
-Pois é... Que coincidência... Bem, o
que acha de aproveitar que estamos aqui e inventarmos alguma coisa?
-Eu topo!
Bernardo entregou-lhe o buquê e saíram
de braços dados. Formavam, afinal, um belo casal. O rapaz pensava consigo que
se tivesse feito diferente, se revelando, as coisas não sairiam tão perfeitas.
Pobre do sujeito que acha que pode
mentir ou esconder os seus sentimentos de uma mulher: Enquanto o homem dá dois
passos, a mulher já tem percorrido a trilha inteira.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Mensagens sobre alegria / felicidade
A prova mais clara
da sabedoria é uma alegria constante.
Michel de
la Montaigne.
Alguns entre vós
dizeis: “A alegria é maior que a tristeza”, e outros dizem: “Não, a tristeza é
maior”.
Porém, eu vos digo
que elas são inseparáveis.
Vêm sempre juntas,
e, quando uma está sentada á vossa mesa, lembrai-vos de que a outra dorme em
vossa cama.
Gibran
Khalil Gibran, O profeta.
Toda alegria é
assim; já vem embrulhada numa tristezinha de papel fino.
Millôr
Fernandes
As pessoas falam
muito de felicidade, se atropelam para serem felizes, mas poucos se interessam
pela felicidade dos outros. É um erro porque a felicidade de um beneficia a
todos, quando mais não seja pela beleza do espetáculo.
José J.
Veiga, Sombras de reis barbudos.
Um minuto de futura felicidade a recompensará infinitamente de todos os sofrimentos;
Daniel
Defoe, A aparição da Senhora Veal (conto)
Felicidade não
depende do que nos falta, mas do bom uso do que fazemos do que temos.
Tomas Hardy
Felicidade é quando
o que você pensa, o que você diz e o que você faz estão em harmonia.
Mahatma
Gandhi
O característico da
verdadeira felicidade é durar para sempre e não encontrar obstáculo. O que não
possui esses dois caracteres não é verdadeira felicidade.
Epíteto
As pessoas são, em
geral, tão felizes quanto decidem ser.
Abraham
Lincoln
Se alguém não
encontra a felicidade em si mesmo, é inútil que a procure noutro lugar.
François de
La Rochefoucauld
Os grandes corações
nunca estão totalmente felizes; falta-lhes a felicidade dos outros.
Jean de La
Bruyére
O que é a felicidade
além da simples harmonia entre o ser humano e a vida que ele leva?
Albert
Camus
Na plenitude da
felicidade, cada dia é uma vida inteira.
Goethe
O caminho para a
felicidade é parar de preocupar-se com o que está além do nosso poder.
Epíteto
A felicidade é uma
maneira de viajar, não uma estação a que chegar.
Ditado
Popular.
A felicidade é uma
prisão, Evey. A felicidade é a mais insidiosa das prisões.
Alan
Moore, V de Vingança.
sábado, 9 de novembro de 2013
Pondo no papel
Para ele, em escrever só havia uma tristeza: O cérebro e as ideias serem mais rápidos que as mãos e a caneta.
No bar
Só uma coisa o deixava mais puto que não pagarem: Jogarem o dinheiro no balcão ao invés de entregarem-lhe em mãos.
Segundos duradouros
-...E foi assim que escapei da morte!
-Me deixe adivinhar: naqueles breves segundos, você viu sua vida inteira passar diante de seus olhos.
-Vi sim.
-Então você é mais um que leva consigo pouco para recordar.
-Negativo. É somente em momentos assim que vemos o quanto são curtas as nossas existências.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Os segredos e o tempo
Conto a ser publicado na antologia "Se todos fossem iguais á você..." da Câmara Brasileira de Jovens escritores.
Embora aquela tivesse sido uma
boa relação e sempre tivessem se dado muito bem, ele lhe escondera um grande segredo:
Era ela a causadora de sua
insônia durante todo aquele longo (e ido) período de tempo.
Sim... Lembrava muito bem da
época em que dividiam uma mesma cama. Ficava praticamente a noite inteira
procurando encontrar uma boa posição que facilitasse a chegada do sono, sempre evitando
olhá-la, pois era exatamente isso que o impedia de dormir: Uma vez que seus
olhos cruzassem com a serenidade daquele lindo rosto, sua atenção estaria
totalmente capturada, concentrada e imersa na beleza daquelas delicadas linhas
faciais, na leve movimentação das narinas que acompanhavam a doce respiração, no
jeito como as unhas compridas, bem cuidadas, e quase sempre descoloridas,
frequentemente vinham a coçar o mesmo e exato ponto do queixo.
Era um dos muitos hábitos
(manias?) dela o de dormir de lado, trazendo as mãos entreabertas próximas ao
peito, virada para a direção dele! Era, assim, portanto, atraído, fisgado.
Olhando-a, era-lhe simplesmente impossível dormir. Mas como não olhá-la? Até
mesmo quando seus olhos se encontravam fechados, clamava por aquela visão.
Constantemente na escuridão a procurá-la.
Certas madrugadas eles passavam
abraçados no sofá diante da TV ligada. Ela dormia. Ele, colado às costas dela,
com a cabeça recostada sobre aquele frágil pescoço, sentia o cheiro. Não do
perfume que dificilmente ela usava. O cheiro do corpo dela. Era nesse momento
ele a abraçava mais forte e beijava de leve a sua face.
Quando ela tinha sonhos ou
pesadelos, ele acompanhava suas reações ante aqueles dois extremos: Breves
sorrisos, expressões profundas de alegria, longos desesperos, mergulhos na mais
pura agonia. E era nestas horas que ele sempre roçava de leve a sua mão
buscando, de alguma forma, usufruir um pouco daqueles bons momentos oníricos ou,
então, tentando tranquilizá-la no absoluto terror.
Poderia passar a noite inteira,
parado, olhando-a. E foram muitas as vezes em que o fez.
E quando, no meio da madrugada,
ela murmurava palavras incompreensíveis, ou então desconexas, ele imaginava que
era seu nome que ela chamava. Que em seus sonhos era com ele que ela estava.
Que todo o amor que por ele sentia ela declarava.
Às vezes não resistia e passava a
mão por seus longos cabelos. Noutras alisava seu rosto, acompanhando,
calmamente, cada linha. E quando terminava o ritual, o repetia mais uma vez. E
outra. E outra... Perdia-se naquela face. E se fosse possível, se tivesse
havido uma noite eterna, se perderia definitiva e infinitamente. Adorava
acariciar seu rosto. E ela não acordava com o seu toque. Tinha o sono profundo.
Não fingia. Não. Ele tinha certeza: A razão de sua insônia profundamente
dormia. Inocente (e como e porque não?), ela não tinha noção do grave dano que
ao sono de seu companheiro causava e o quanto, apenas por suprir a básica
necessidade de dormir, o afligia.
Nas noites frias, ele a abraçava
e por ela era abraçado. Via, nestas ocasiões, aquele rosto ainda mais de perto,
por vezes quase colado ao seu, noutras em seu peito encostado. E maior era o seu
martírio. Sentia o calor leve que daquele corpo emanava e então a tentação
vinha mais forte do que nunca. Mas não ousava interromper aquele momento
sagrado. Embora muito quisesse, não procurava o seu toque, as suas carícias, o
seu suor, o seu sexo. Não enquanto dormisse. Não poderia e nem conseguiria
voluntariamente acordá-la.
E nas raras vezes (e nos curtos
períodos de tempo) em que conseguia dormir, ele tinha sonhos, todas as suas
palavras, murmuradas, eram compreensíveis, tinham sentido: o nome dela ele
chamava, era com ela que ele estava e todo o seu amor por ela ele declarava.
Aquele era o segredo: aquela moça
era a causadora da sua insônia. E mesmo passado tanto tempo, ainda o era. A
diferença é que antes ele não conseguia dormir por tê-la ao seu lado e agora
não pregava os olhos por não mais tê-la.
Mas havia outro segredo.
Ainda mais secreto.
Ele a amara.
E ainda a ama.
E todas as noites ora para ter novamente,
ao menos apenas mais uma vez, aquele martírio, em sua cama.
Uma pena ele ter escondido, sob
uma camada fina e levemente ofensiva de indiferença, toda a intensidade dos seus
sentimentos.
Triste é a sina de certos
segredos: Quando não revelados no momento propício, passada a devida
oportunidade, estão ultrapassados, fadados á insignificância, ao esquecimento,
e, uma vez enterrados, se perdem no tempo.
domingo, 27 de outubro de 2013
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Micro Ciclo
A bola no chão batido quicando,
A roupinha da boneca trocando,
Os ponteiros do relógio incessantemente girando,
De repente preocupações, novos rumos e planos.
Um amor encontrado,
Guarda-roupas de bebê preparado,
O milagre da vida realizado,
O casal ganha companhia no quarto.
A bola no chão batido quicando,
A roupinha da boneca trocando,
Os ponteiros do relógio incessantemente girando...
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Antologias Andross Editora
Antologias da Andross Editora das quais participarei.
Lançamento para o dia 19 próximo, durante o evento "Livros em Pauta" em São Paulo.
Amores (Im)possíveis com o conto "O homem que não queria morrer".
Edição de Edson Rossato, organização de Leandro Schulai.
SINOPSE: Todos procuram um amor. Todos mesmo. Até os vilões, afinal, não existe amor ruim. Mas será que todos os amores são possíveis? Amores (im)possíveis traz a essência do amor em diversos contos, que retratam a alegria da conquista, o desespero da perda, o prazer em ser correspondido, a angústia em ser rejeitado... Afinal, existe sentimento mais controverso do que o amor?
AUTORES: André Kuhn — André Silva — Andre Tiago — Beatriz Avanso — Ben Oliveira — Bianca Maia — Carla Adrielle — Claudio Moraisito — Daisy Duarte — Davi Paiva — Denise Beliato — Doug Pereira — Dryh Meira — Edriane Roseno — Erick Freire — Evelin Barboza — Evelyn Postali — Fabrício Rufino — Felix Alba — Irineu Albuquerque — Isa Aragão — J.R.R. Santos — Jadson L. Ribeiro — Jariane Ribeiro — Jonatas Rubens Tavares — JP Tarcio Jr. — Julio C. Vieira — Lara Luft — Larissa Siriani — Leandro Schulai — Lina Stefanie — Lívia Fiedler — Lu Days — Ludmila Monteiro — Luiz Carlos Dias — Mairton Costa — Marcele Cambeses — Marcos Monjardim — Maria Carolina Araujo — Maria José C. de Oliveira — Max Fischer — Michelle S. Rocha — Moisés Suhet — Murillo Melo — Nayana Feitosa Lacerda Canuto — Nayara Fontenele — Patricia F. — Paulo Xavier — Pedro Otávio — Priscila Dritty — Rainer Pompermayer — Ricardo Biazotto — Rodrigo N. de Oliveira — Rosilene Siepamann — Sandro Honorato — Sirley Gomes — T.R.S. Amorim — Thais Pampado — Thaís Santos — Tiago Almeida — Vitor Emmanuell — Wilgner Murillo Santos — Yume Vy
Mentes Inquietas com o conto "O homem que não se arrependia de ter desafiado o diabo".
Edição de Edson Rossato, organização de Alfer Medeiros.
SINOPSE: Mary Shelley
tinha pesadelos com a ideia de ressuscitar mortos... Lovecraft sentia-se
perseguido por entidades anti-humanas... Edgar Allan Poe era fascinado por
felinos e pássaros negros... As melhores histórias sobrenaturais, de suspense e
de terror de todos os tempos surgiram das mentes mais inquietas que a
literatura universal já conheceu. Agora, uma nova safra de escritores impõe ao
papel toda a angústia de suas mentes, em tramas que mesclam o fantástico à
loucura, o possível ao inimaginável, a penumbra ao medo... Se é horror que você
procura, veio ao lugar certo: o subconsciente humano.
AUTORES: Aislan Coulter — Ana F. Cruchello — Ben Oliveira — Cami L. A. Castro — Davi Paiva — Doug Pereira — Duda Trichês — Eduardo B. Martins — Felix Alba — Giulia Alzuguir — Guilherme Matos — Hugo Sales — Johnathan Bertsch — Jonatas Rubens Tavares — Kaio Akrasan — Krayon C.G. — L. E. Haubert — Laura A. Dalmolin — Lily Silva — Lucas Machado — Lucas Rodrigues — Luiza Canto – Majola — Marcus de Bessa — Maria Júlia T. Montandon — Marina Gonçalves — Marjorie Pontes — Maurício Kanno — Nicole Siebel — Patrícia Fonseca — Raphael Malta — Regina Castro — Robert Trebor — Rosa Mattos — Samuel Medina — Simone Xavier — Sirley Gomes — Taiane Gonçalves Dias — Thais Pampado — Verônika Medeiros — Vitor Pereira Jr. — Wellington dos Santos Novaes — Wes Barros
AUTORES: Aislan Coulter — Ana F. Cruchello — Ben Oliveira — Cami L. A. Castro — Davi Paiva — Doug Pereira — Duda Trichês — Eduardo B. Martins — Felix Alba — Giulia Alzuguir — Guilherme Matos — Hugo Sales — Johnathan Bertsch — Jonatas Rubens Tavares — Kaio Akrasan — Krayon C.G. — L. E. Haubert — Laura A. Dalmolin — Lily Silva — Lucas Machado — Lucas Rodrigues — Luiza Canto – Majola — Marcus de Bessa — Maria Júlia T. Montandon — Marina Gonçalves — Marjorie Pontes — Maurício Kanno — Nicole Siebel — Patrícia Fonseca — Raphael Malta — Regina Castro — Robert Trebor — Rosa Mattos — Samuel Medina — Simone Xavier — Sirley Gomes — Taiane Gonçalves Dias — Thais Pampado — Verônika Medeiros — Vitor Pereira Jr. — Wellington dos Santos Novaes — Wes Barros
Livre para voar com o conto "Firme".
Edição de Edson Rossato, organização de Helena Gomes e Carla Yanagiura.
SINOPSE: Escrever é
soltar as amarras que prendem a criatividade. Palavras escritas em uma folha de
papel tornam-se cada vez mais leves e flutuam até ganharem o céu, rumo ao
infinito. E aqueles que têm a ousadia de compor histórias com a liberdade que a
literatura lhes permite nunca terão suas mentes encarceradas. Serão sempre
livres para voar.
AUTORES: Aglaé Torres — Alexsandro Menegueli — Aline G. Alhadas
— Anna Barbosa — Camilla Soto — Caroline Policarpo Veloso — Clarissa Roldi —
Danielle Meniche — Davi Paiva — Evelyn Postali — Felipe Cantarelli – Flommar —
Gabriel Messias – Gilborne — Gládiston de Souza — Glenn Von Beat — Jonatas
Rubens Tavares — Kássio Nunes — L. E. Haubert — Lara Luft — Lauane Souza —
Letícia Zampiêr — Lucas Janini — Lucas Marchette — Lucien Adedo — Lya Gallavote
— Maciel Brognoli — Magnus Langbecker — Márcia Alcântara — Mayara Sousa —
Miguel Nenevé — Milena M. — Murray Jordan — Nayara Fontenele — O. A. Secatto —
Rafael Machado Costa — Raphael Cardoso — Ricardo R. Gitti — Robert Trebor —
Tatiana Satake — Tiago France — Vitor Pereira Jr. — Vivian Albuquerque —
William Wagner Westphal
sábado, 5 de outubro de 2013
Prenúncio
Poesia a ser publicada na "Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos Vol. 106"
Os galhos desfolhados
A beleza ida
O vento soprando forte
A terra úmida e fria
Os galhos balouçando ao vento
A beleza ausente
O vento mostrando sua força
A terra oca, vazia, indiferente.
Os galhos se curvando
A beleza ainda está ali!
O vento agora é brisa
A terra começa a sorrir.
Os galhos, imóveis
A beleza florescendo
A brisa trazendo calor
A terra rejuvenescendo
Temporal, tormenta!
No horizonte, a escuridão assustadora do nada
O vendaval num açoite violento
A terra pela água dos céus afogada
Nos galhos, pequenas folhas
A beleza renovada
A brisa, pura carícia, sopra amor
Na terra, mãe adorada
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