sábado, 7 de setembro de 2019

Percepção & dor

Pensamentos inspirados por imagens do artista Joey Guidone

Quem vê um corpo aparentemente são pode não ser capaz de perceber uma mente se afogando em desespero e dor.

Os afogados buscam saída na fuga:
há aqueles que, para tanto, escalam arriscados cumes.

Outros tantos tratam de garantir o afogamento. Dose a dose a dose a dose...

Voltando à triste realidade, são exteriorizadas as lágrimas que, não raro, brotam de um belo jardim interior.

Nos rascunhos da vida, nas palavras, mesmo em meio às dores, muitos costumam se encontrar.

A folha branca, dupla funcionalidade, ganha e traz sentido. O que a princípio está contido no papel ganha o mundo do autor.

Há quem busque, em valiosas fontes, mergulhar.

Querem abrir novas portas; 
pretendem a outros lugares chegar.

Quem encontra alegria, satisfação e paz em luz aos outros levar mesmo em meio à tempestade e à escuridão não se deixa incomodar.

Já quem passa a ouvir e / ou a sentir a perfeita sinfonia do universo dificilmente cede aos ruídos.

Seja como for, trata-se de com o que é bom, puro e natural se reconectar.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Um viva ao livro

Crônica publicada no jornal "Nossa ilha", nº 459, de agosto de 2019. Em alusão à 7ª Feira do livro de São Francisco do sul, que ocorrerá entre os dias 27 e 31 de agosto. 



domingo, 7 de julho de 2019

Criação, alimentação, reflexão e fluidez

Pensamentos inspirados pela obra do artista Joey Guidone 
(conheça mais do artista clicando AQUI )

O que produzimos pode tanto retratar quanto manchar; logo, na escrita, refletir é o que há.

A palavra é poderosa: pode tanto apagar incêndios quanto fazer o circo pegar fogo.

Não poderia ser por menos: o que consumimos - lemos - reflete no que escrevemos.

É preciso estar atento ao que nos chega ao prato:
há alimentos deveras indigestos. 

Alimentos indigestos embotam os pensamentos. Fica difícil refletir.

Fuga não existe não: o processo de reflexão - digestão - geralmente implica em imersivo processo de solidão.

Por vezes é preciso se desconectar:
Mosca quando cai em teia, e nela permanece, acaba presa, sendo consumida.

É vital expandir os horizontes... Porque a vida é bem mais - e melhor - do que se nos apresenta(m).

A nossa realidade, em muitos casos, somos nós mesmos que esboçamos.

Quando enxergamos a vida desta forma, passamos a trilhar - e até mesmo a criar - os nossos próprios caminhos.

Então a vida adquire toda a fluidez, naturalidade e beleza da música.

Os pesos impostos socialmente vão ficando para trás.

Só então, mesmo em meio às mudanças constantes, somos capazes de identificar, respeitar e abraçar as nossas verdadeiras prioridades - raízes.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Mistura alquímica

De repente, compreendia: com ele
misturava-se - até mesmo confundia-se - o que consigo trazia.

Artilheiro

Quase morreu de desgosto:
sem a torcida, nem mesmo os mais admiráveis e desafiadores gols tinham o mesmo gosto.

Experiência

Foi ao retirar uma planta da terra que chegou a uma conclusão certeira:
um ser não sobrevive se afastado de sua natureza.

Filho

Andara perdido, vazio e para tudo e todos indisposto.
Agora a vida tinha um outro (e maravilhoso) gosto.

quarta-feira, 13 de março de 2019

À janela

Poesia inspirada pela obra do artista Barry Quinn (site do artista)

O vazio consome o mundo;
se permitido, o vazio a tudo consome;
quando brota o vazio, tão profundo,
Tão profundo o vazio espalha-se, incólume.

Cinza, triste, árido;
no entanto, algo brota.

A cor, morna, envolvente,
traz ao entorno vida que não se esgota.

Misturados, multicor e cinza,
já não sabem onde
um começa e o outro termina

Adormecem e amanhecem juntos
até que brote tanta cor(!) que ao cinza extermina.

Surge, então, após o longo e rigoroso inverno,
Um pássaro à janela

Canta de forma tão lúcida, consistente e viva;
É agora primavera