quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Bebamos desta fonte

Mais triste que ser um peixe fora d'água?
Ser água sem peixe.

Somos o que bebemos.

Toda a sujeira que se esconde "debaixo do tapete" sempre vem à tona.

Nós, os humanos, evoluídos seres transformadores, jamais estivemos contentes em residir no Planeta Água.

Lenta e agonizantemente as águas límpidas vão entrando para os livros de história.

Julga-se um ser pelo legado que ele deixa para os seus descendentes.

Tomara que amanhã a nossa sede por consumismo e dinheiro seja tão grande quanto é hoje.

Parece justo: Eu mato a sua fome e você me mata de fome.

O animal mais sábio da Terra? 
O Ser Humano, que sabe usufruir do presente de amor que a natureza lhe ofertou.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Pássaros tem direito de viver em liberdade, decide tribunal indiano

"Pássaros Brasileiros 7" de Juliana Buglia .
Enquanto você voa eu percebo
o quão por vôos mais altos eu ando sedento
e ao observar o bater de tuas asas me questiono:
Quanto tempo mais aqui, no chão, eu aguento


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Escalada

Pintura do equatoriano Oswaldo Guayasamín

A vida em sociedade se trata de um jogo 
que não passa de um breve grito:
Ganha quem berra mais alto; 
Aos emudecidos a miséria absoluta.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Devaneios de um passado recente

O fundo
Foi
     Caindo
                 Sem
                        Perceber
                 Que
            No
Fundo
           Ninguém
                           Nos

                                  Vê

Velho Sonho
O velho sonho estava chateado,
afinal, fazia tempo que não era sonhado

Tão perseguido no passado,
agora não era nem sequer lembrado

Após refletir, acabou por ficar conformado:
Com o passar do tempo, 
alguns sonhos vão sendo trocados.

Dando forma
Tintas jogadas na tela
O excesso vai escorrendo
Da coisa sem forma
Uma imagem vai aparecendo

O pintor se assusta
Assusta-se com o que vê
"Como apareceste ai?
Não dei forma alguma a você!"

Mas agora não tem jeito
A obra está findada e o autor nem sequer notou
que o que estava alojado em seu coração
A sua arte violou


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Abrigo

Crônica publicada no jornal "Notícias do Dia", Caderno São Francisco do Sul, em 9 de Julho de 2015


Incorrigível

Crônica publicada no jornal "Notícias do Dia", caderno São Francisco do Sul, em 11 de Junho de 2015

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Animais

Tudo parece tão pequeno e insignificante
se comparado à grandiosidade de um elefante

Até mesmo o mais sábio e admirável sultão
curva-se ante a majestade de um leão

Quão profundo e silencioso é o mistério que circunda
o olhar penetrante de uma coruja?

Quanto mais se aproxima mais soa insidioso
o mais frio membro da família dos caninos, o lobo

Desconhece completamente o medo
aquele que se lança na mais profunda escuridão, o morcego

Impossível não se sentir atraído, hipnotizado,
por todo o ar enigmático que circunda um gato

É difícil não invejá-lo
enquanto o vejo trotando em liberdade, cavalo

Por qualquer aperto passa
todo aquele que de perto viu a imensidão de ser uma girafa

Só leva a vida de forma plena
a sempre bem humorada hiena

Quem irá despertá-lo
quando, no sono, passar da hora, amigo galo?

Só irá mesmo identificá-lo, conhecê-lo, quem tive-lo em mãos,
supremo camuflador, camaleão

Por um planeta totalmente mergulhado em água anseia
a gigantesca e soberana dama do mar, a baleia

Somente vocês o firmamento recebe de boa vontade
inspiradas cantoras, maravilhas aladas, aves!

terça-feira, 23 de junho de 2015

Corporal



Sofro.
Sofro sim.
Sofro muito.
Mas meu sofrimento...
O meu sofrimento é mera e unicamente corporal.
Meus braços queixam-se, compreensivelmente, por ser movimentados para outra atividade que não seja segurar-te. Abraçar-te.
Minhas mãos e os meus dedos estão profundamente frustrados por não poderem contornar, estudando, demoradamente, cada linha harmoniosa do teu gracioso rosto.
As minhas pernas e os meus pés estão revoltados, pois minhas caminhadas já não mais os levam até ti. E deixaram claro que por mais distante, árduo e sôfrego que seja o trajeto, o completariam com prazer para realizarem este nosso reencontro.
O meu peito clama, dolorosamente, todas as santas noites insones, pelo recostar e repousar da tua cabeça. Espera poder novamente aninhar-te.
Os meus cabelos, pobres coitados, exigem, ao menos uma vez mais a delícia de por ti serem tocados, percorridos e alisados.
Meus ouvidos se entristecem somente em rememorar o fato de que já não irão mais ouvir a tua doce voz, que a eles tão bem fazia.
Meu nariz fareja, constantemente, onde quer que esteja, na esperança vã de captar um resquício da tua acalentadora fragrância natural. Do teu maravilhoso perfume.
Os meus olhos... Ah, os meus olhos! De tão fiéis a ti, fizeram greve por tempo indeterminado. Alegando causa inegociável, eles se recusam a abrir, a não ser que seja na tua presença. Choram inesperada e constantemente a tua ausência.
Os meus lábios movimentam-se sem vontade, certos de que as minhas palavras não chegarão até você. E não são raras as vezes em que os flagro pronunciando, baixinho, com saudades, o teu belo nome.
O meu cérebro, dono de uma memória infalível, insiste em me levar em um passeio nostálgico pelos momentos maravilhosos que contigo compartilhei. Nele, só existe você, você e você. Trata-se de um espaço, de um altar, de pureza, tributo e adoração eternos.
E o meu coração... O meu coração, no cumprimento leal das obrigações de suas funções, bate fraco, descompassado, triste. Repleto de amor, não quer ser entregue a outra pessoa que não seja a você.


Continho anteriormente publicado no Recanto das Letras

terça-feira, 2 de junho de 2015

Bicho de sete cabeças - Geraldo Azevedo


"Não dá pé
Não tem pé, nem cabeça
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo"