Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de julho de 2019

Criação, alimentação, reflexão e fluidez

Pensamentos inspirados pela obra do artista Joey Guidone 
(conheça mais do artista clicando AQUI )

O que produzimos pode tanto retratar quanto manchar; logo, na escrita, refletir é o que há.

A palavra é poderosa: pode tanto apagar incêndios quanto fazer o circo pegar fogo.

Não poderia ser por menos: o que consumimos - lemos - reflete no que escrevemos.

É preciso estar atento ao que nos chega ao prato:
há alimentos deveras indigestos. 

Alimentos indigestos embotam os pensamentos. Fica difícil refletir.

Fuga não existe não: o processo de reflexão - digestão - geralmente implica em imersivo processo de solidão.

Por vezes é preciso se desconectar:
Mosca quando cai em teia, e nela permanece, acaba presa, sendo consumida.

É vital expandir os horizontes... Porque a vida é bem mais - e melhor - do que se nos apresenta(m).

A nossa realidade, em muitos casos, somos nós mesmos que esboçamos.

Quando enxergamos a vida desta forma, passamos a trilhar - e até mesmo a criar - os nossos próprios caminhos.

Então a vida adquire toda a fluidez, naturalidade e beleza da música.

Os pesos impostos socialmente vão ficando para trás.

Só então, mesmo em meio às mudanças constantes, somos capazes de identificar, respeitar e abraçar as nossas verdadeiras prioridades - raízes.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Pensamento

Como ele se originou?
Como de nós se apossou?
Como é que com ele conseguimos conviver?
E como poderíamos sem ele sobreviver?
É ele a força que nos põe estáticos?
Ou será ele que está a nos mover?
E depois de partirmos?
Prosseguirá ele agindo?
É solitário, individual, ou coletivo?
Estará presente aqui, lá no alto e também no fundo do abismo?
Pensar a respeito do pensamento somente a um lugar pode nos levar:
Quanto mais pensamos a seu respeito mais temos a pensar

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Talvez


(Pintura de Karen Tarlton)
 
Talvez o orgulho e o egocentrismo devam ser postos de lado...
Talvez doar-se signifique ainda mais do que ser amado...
Talvez tudo seja infinitamente maior do que supomos...
Talvez as aparências sejam apenas sombras do que realmente somos...
Talvez os sentimentos ruins façam mal unicamente á quem os guarda...
Talvez estejamos apenas percorrendo uma trilha e alguém no fim nos aguarda...
Talvez sejamos meras peças de um plano maior...
Talvez a esperança, a fé e o amor nos protejam do pior...
Talvez... Simplesmente talvez...

 
 

 

 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Reflexos

 
 
Alzira passava por uma crise de identidade um tanto quanto diferente...
Ela sabia muito bem quem era. Não tinha dúvida alguma em relação á isso. O problema eram as outras pessoas. Estas, sim, não sabiam quem era Alzira.
Os colegas da faculdade e do trabalho não a conheciam, as amigas (até mesmo as de longa data!) também não, o namorado não a conhecia, seus pais (com quem dividia a mesma casa desde o nascimento) também não. Aquilo tudo era muito estranho e incômodo. Sentia-se coadjuvante da própria existência. Vivia em um mundo em que as pessoas não se conheciam e nem se esforçavam para tanto.
O jeito, a solução encontrada, foi mostrar a que veio. Mas muitos não gostaram do verdadeiro eu de Alzira. Procuraram se afastar. E a moça tinha de admitir: agindo daquela forma, querendo mostrar-se, provar-se, distorcia, de alguma forma, a própria personalidade. Distorcia o seu próprio Eu. Então a sua crise de identidade só piorou. Agora, ela mesma tinha dúvidas quanto a quem era de fato a Alzira que até pouco tempo atrás acreditava conhecer tão bem.
-Quem sou eu? – Perguntou a moça, aos prantos, ao namorado.
-Você é a mulher que eu amo...
Pois o namorado amava uma pessoa que não existia. Amava a imagem que tinha de Alzira, não a Alzira em si. Talvez ela mesma estivesse apaixonada apenas pelo que acreditava ser seu namorado. Esse pensamento a confundiu. Na certa, todos que ela supostamente conhecia eram apenas uma imagem errônea que ela havia produzido... Tratava-se de um mundo muito estranho, repleto de pessoas estranhas, que, estranhamente, estranhavam-se entre si mesmas... O fato é que a verdade não passa de um belo engano enquanto o que julgamos engano é o que talvez mais se aproxime da realidade que julgamos conhecer, mas que na realidade desconhecemos totalmente... Duplamente enganados.
Alzira procurou acalmar-se e, após uma longa e regeneradora noite de sono, estudou o próprio rosto no espelho. Não conseguiu distinguir, naquelas feições, o seu Eu. Era triste, mas era verdade, era realidade:
As pessoas nos veem como no espelho nos enxergamos: Apenas um mero reflexo do que realmente somos.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Aos quatro ventos...


Aos quatro ventos...                                                                                          

Vão! Vão e digam! Aos quatro ventos! Que o sonho acabou, que a poesia morreu, que a fonte da arte secou, que do mundo o homem se esqueceu. 
Vão e digam que a voz da razão se calou, pois todos acreditam estar com ela, que no lugar dos bons e velhos heróis surgiram ídolos tão fracos quanto aquilo que representam. Que tudo é conspiração e jogo de interesses, que votos, promessas e união já não são mais sagrados, que o mundo já não é mais de todos nem para todos!
Vão e digam que o bom gosto já não existe, que as lições que deveríamos aprender com os nossos antepassados são motivos de chacota, que amizade e sinceridade são valores idiotas, que um filho após parido não é a nossa maior responsabilidade de amor, que os livros, quando não dizem mentiras, nada dizem, que matar um irmão sem justificativas é justificável e tem perdão, que as leis que nos regem já não são o suficiente, que a “vida em sociedade” tem servido como porta de regressão para os nossos instintos mais primitivos, que mergulhar em um universo de fantasias é mais seguro que viver a própria realidade, que a anarquia talvez venha á ser a única chance de redenção de um mundo aturdido!
Vão e digam que a inspiração deu lugar ao caos e que a força da imaginação ajoelhou-se perante o vazio e falta de objetivo e objetividade da mente humana, que o gosto pelas novidades em algum momento se perdeu, que as críticas são dirigidas aos que não se deve ser dada atenção alguma, que os sentimentos deixaram de ser características do ser humano, que a escuridão já é mais confortável e convidativa que a luz, que a solidão, decadência e depressão são um novo modo de vida, que não se precisa mais de guerras para agredir e destruir!
Vão e digam que a felicidade virou utopia, que a nossa salvação é ignorada, apedrejada e crucificada diariamente, que o ser humano, que tanto se esforçou no caminho da ciência, tecnologia, iluminação e conhecimento, é agora vergonhosamente controlado, que as nossas crianças já não tem mais infância, que a inocência é uma recordação tão distante, que a vontade de viver está presente em tão poucos, sufocada pelas obrigações de um mundo frio e cruel que nos foi dado de presente e nos esforçamos tanto em destruir!
Vão e digam que todos só sabem reclamar, que tudo agora tem fronteiras, que o futuro é só insegurança e medo, que não se precisa mais fechar os olhos para se viver um pesadelo, que a mãe-natureza, que bondosamente nos servia, por nós é injustamente e traiçoeiramente massacrada, que a mentira é tanta que não pode mais ser desmascarada, que o ódio toma á todos, que não há mais motivos para se pedir perdão, que ninguém mais pensa antes de fazer, que suicídio saiu de moda e que a válvula de escape da vez é sair matando!
Vão e digam que os nossos gênios lavaram suas mãos, dando as costas aos problemas da casa e dedicaram-se á vastidão do universo, que o sexo agora é tudo e que a perversão não tem mais limites, que já não há mais respostas para tantas questões, que a família e amigos foram substituídos por uma “rede”, que nada mais é dosado, que a compaixão foi sepultada juntamente com outros valores essenciais, que a legalidade não demora á figurar entre os termos ilegais, que todos tem direito á tudo, que a única certeza presente é o fim do mundo! (?)