sábado, 12 de dezembro de 2015

Olhares


Dizem que "os olhos são a janela da alma".
Quem não vê com os olhos, rebate:
Quem vê olhos não vê coração.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Dando linha


O fio que corre
Escorre
Percorre
Uma sinuosa linha reta
Repleta de ângulos que,
De tão circulares, vão,
Erraticamente, sem desvios,
Por atalhos, dentro do caminho,
Próximo, a se perder de vista

O fio que percorre
Escorre
Corre
Uma linha irregularmente perfeita
Curta de tão comprida,
Grossa de tão fina,
Áspera de tão lisa,
Escorregadia de tão seca,
Atada a absolutamente nada
E que foi cortada por ninguém

Agora o fio escorre,
Percorre
E corre
A fio,
Sem fio,
A corrente sem elos
Do repleto nada.

Ponto sem nó.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Desconexão

Conforto

Só me conformo
Com o que me conforma
Porque o conformismo
Me deixa, deveras,
Conformado

Visibilidade
Tu não me vês
Porque não te vejo?
Ou eu não te vejo
Porque tu não me vês?

Ou nos vemos
E fingimos “cegamento”
Ou ambos não nos vemos
Porque estamos a nos esconder?

Caninus
Só parecemos loucos
Quando rosnamos
Diante do esgoto

Só nos revelamos loucos
Quando escavamos
Desgostos

Só ficamos loucos,
De fato,
Quando passamos a uivar em Agosto.

Timing
O tempo parou para Letícia...
Mas ela ainda se movimenta
O tempo parou para Letícia...
Está cansada, mas ainda aguenta
O tempo parou para Letícia...
Não se sabe mais o que a sustenta
O tempo parou para Letícia...

Alguém, por favor, lhe diga as horas!

À prova
A vida tem uma ironia, em particular,
Que me deixa profundamente chateado
Por que é justamente pelo pecado
Que nos quedamos tentados?

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Partida

-Agora sabemos porque o animal símbolo da paz possui asas - lamentaram-se os homens de boa vontade.

Zzzzzzzzz

Só sentia sono quando estava acordado.

Realidade literária paralela

Lia incessantemente um livro após o outro na esperança de que um deles o tragasse da realidade.

Atraso matinal

Não sabia ao certo o porquê, mas havia dias em que não tinha a mínima vontade de sair da cama.

Chá das cinco

Enchia a mesa de xícaras para não se sentir sozinha.

Constatação

Ilustração de Sophie Griotto .
Vez por outra olhava para os lados na esperança de não estar só.

sábado, 21 de novembro de 2015

Fogo

Dedicado a todos os irmãos do mundo que,
 Nestes dias estranhos, cinzentos e turbulentos,
Com todas essas tragédias e guerras tem sofrido 
E, principalmente, aos que nelas têm perecido.

Dando voltas, voltas e mais voltas
A algum lugar distante chego
Em algum ponto, indefinível, entre o horror e o medo
Um mundo completamente em chamas.

-Fogo! – O mundo grita.

Tragado pelo vórtice, descendo a espiral incandescente, me debato
Em meio a uma multidão imóvel de caídos
De fundo, instrumental e voz, sons dignos de O Juízo
Que abalam, crepitar! , a eternidade desse vácuo.

Inocentes, subjugados, arrebentados
Corações, arrebatados, repletos de fissuras
Pulsando fracos em cenários devastados
O fogo, lambendo os beiços chamejantes, a tudo consome

Arde a noite escura
A matéria, decomposta, nua, se revela
Estertor nos ouvidos martela
Não há volta das chamas.

Todo o orgulho, desejo, confusão e medo se foram
Convicções, expectativas, crenças... O que restou?
Silêncio, vazio, escuridão, o nada absoluto;
Paz... O fogo perece; as brasas ainda queimam.

Em algum lugar, almas recém-libertas bailam em doce improviso
Do alto de onde se encontram o fogo não pode mais alcançá-las.


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Esparsos

Perder-se é infinitamente mais fácil do que se encontrar.

Não é o bater das asas, mas sim o impulso.

Quase nunca é confusão; Geralmente se trata de subjetiva objetividade.

Sempre que algo você captura, algo te escapa.

Nada é o que parece ser; Só o que desaparece.

Deixando para trás as definições e conceitos estipulados, resta a realidade.

Até mesmo o inconsciente coletivo pode perder a consciência.

Aquele que descobriu onde se encontra a chave da compreensão desistiu de alcançá-la.

Para ir longe é preciso estar disposto a encarar a caminhada.

Os sonhos, no breve momento em que os concebemos, se tornam reais.


domingo, 8 de novembro de 2015

O fim

O desespero, mesmo, veio quando até as pétalas começaram a cair.

Dever cumprido

Dava até vontade de sujar de novo.

Explicação

Não era uma mão boba, mas sim desobediente.

Mal de ator

Ilustração de Átillo Dennis .
Nem mesmo ele distinguia
 o exato momento em que a cena iniciava e o momento em que ela concluía.

História (romântica) sem fim

A solução era passar despercebida.

(Im) Possibilidades revolucionárias

Percebeu que mudar o mundo era utópico;
Ou mudava de planeta ou construía um novo.

domingo, 1 de novembro de 2015

Honra Literária

Honra: Fui agraciado com o título de Acadêmico Honorário da Academia de Letras e Artes de São Francisco do Sul (ALASFS).



quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Uma história imaginária


Na cabeça do velho escritor, tudo era saudades: das histórias que lera, das histórias que ouvira, das histórias que escrevera, das histórias que não (mais) vivia...

Hiato comunicativo

Não se trata do que falam, mas sim do que se ouve.


sábado, 3 de outubro de 2015

Negação diária

Ele não era metódico e nem a sua vida uma eterna rotina: Apenas fazia todos os dias as mesmas coisas do mesmo jeito e nos mesmíssimos horários.

Musical

A trilha sonora da sua vida era ele próprio quem compunha.

Bailarina

Os passos guiavam seus sonhos. 
Não cessava a dança, pois não queria acordar.

Solidão

-É triste ver todo mundo partindo - lamentou-se a Ceifadora.

Ótica

-A vida é doce - opinou o confeiteiro.

O beijo

-Foi o mais belo, inspirador e completo beijo de amor - disse o poeta que, ao testemunhar o ato, suspirou.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Em Gifs vívidos III

Textinhos inspirados em Gifs. 
Os primeiros estão Aqui e Aqui .

Na escuridão é difícil encontrar o caminho; Luz é auxílio.

Com devoção, tudo floresce; Com dedicação todo fruto amadurece.

O Ministério da Saúde adverte: Beber de uma única fonte provoca a falsa e perigosa sensação de saciedade.

Tudo o que é convencionado como certeza veio de um universo de possibilidades.

Só estão efetivamente sós os que sós se julgam.


Para quem não dirige, é fácil se perder na primeira curva que surge pelo caminho.

Uma vez que o exterior já é confuso, deve se descomplicar o interior.

Não é se escondendo que se encontra.
Não é se encontrando que se conhece.

Fuga:
Quanto mais longe, mais perto.

Somente pulsam de fato os pulsos verdadeiramente pulsantes.

A organização (ou a tentativa de instaurar uma) só surge quando a desorganização já está instaurada.